Antologia de sonetos do poeta, traz um humor enlevado pela escatologia e grossura, envolto no sarcasmo e no escracho.
Peçonhento (115)
Venenos são assunto perigoso.
Cicuta, estricnina, formicida...
É tanta substância proibida!
Curare, cogumelo, humor aquoso...
Há quem prefira arsênico a ter gozo.
Há quem com cianureto se suicida.
Há quem mistura soda na comida.
Há quem receita a língua do Mattoso.
Por mais mitridatismo que se invente,
ninguém se põe a salvo da picada
de aranha, escorpião, ou da serpente.
Mas a língua do Glauco, tão falada,
se torna inofensiva e obediente,
servindo de flanela na engraxada...
Ano: 2004
Editora: lamparina

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